FANDOM


Diversas pesquisas da última década revelaram que o comportamento político tem fortes bases evolutivas e genéticas, e seus mecanismos fisiológicos e princípios comportamentais começam a ser decifrados.

Evolução

The evolutionary psychology of mass politics MB Petersen - Applied Evolutionary Psychology, 2011 [5]

Apesar de vivermos há milhões de gerações em pequenos grupos, a transição entre sociedades de pequena escala para sociedades de estado só ocorreu há 3-250 gerações atrás dependendo da população [1], o que sugere que nossa cognição social e política tenha sido muito mais fortemente selecionada para o ambiente ancestral humano de conflitos em pequenos grupos, em oposição a sociedades grandes, com organização social complexa e tecnologia avançada [2].

Hatemi (2012) afirma que os tópicos políticos atuais envolvem fundamentalmente as mesmas questões de reprodução e sobrevivência relevantes aos ancestrais humanos, por envolver os mesmos tipos de relações interpessoais; questões de imigração são similares a como lidar com indivíduos de fora do grupo, questões de assistência estatal são semelhantes a de distribuição de recursos, política externa e punição são análogas a proteger indivíduos do grupo de estranhos e de si mesmos, questões de liberdade sexual são relacionadas a escolha de parceiros e criação de filhos [3].

Genética

Embora talvez contra-intuitivo, posturas políticas e ideológicas tem um componente genético considerável, sendo próximo de 50%, em média [4], devido a influência genética sobre os processos cognitivos, emocionais e racionais subjacentes a seus posicionamentos políticos. É importante lembrar que estes traços são frequentemente o resultado de uma combinação complexa de mutações, deriva genética, seleção sexual, recombinação, cultura, instituições sociais, aprendizado, experiência e adaptação ecológica. Os estudos ainda são bem recentes, e ainda não separam adequadamente interações genes-ambiente, fatores epigenéticos e interações entre genes. Posicionamentos em relação a políticas assistencialistas por exemplo tem uma herdabilidade de 40%[3].

Um grande estudo[5] genômico de 2011 encontrou evidências sugestivas da influência de genes de NMDA, serotonina, glutamato, dopamina, de olfação, e receptores acoplados a proteína G na dimensão liberalismo-conservadorismo; estes receptores também estão associados a traços relacionados a performance cognitiva/comportamental, agressão, ansiedade, cooperação, medo, condicionamento, impulsividade, comportamentos pro-sociais e aprendizado social[3].

O comportamento de votar (ou se abster) tem uma herdabilidade próxima a 53% e componentes geneticos significativos também foram identificados em comportamentos de doação, escrever a membros do parlamento, participar de protestos, voluntariar-se, e algumas atitudes como confiança social, eficácia política, dever e interesse político[3].

Psicofisiologia

[6] The Case for Increasing Dialogue between Political Science and Neuroscience

Peterson et al. (2012) encontraram uma correlação significativa em homens entre a força nos membros superiores e o posicionamento a respeito de políticas sociais favorecendo pessoas do seu status socioeconômico, sugerindo uma associação entre porte físico e posicionamentos políticos auto-interessados, provavelmente mediada parcialmente por testosterona [6].

Hormônios

Personalidade

Uma série de estudos indicam que a orientação política não é fortemente influenciada pela maior parte dos traços de personalidade, com algumas exceções [4]. A influência genética sobre orientações políticas parece não ser relevantemente intermediada por traços de personalidade [7].

Inteligência e cognição

Relacionamentos

Casais de longo prazo tem uma correlação bastante alta, de 0,65 a 0,71, em questões políticas, uma das maiores já encontradas para traços psicológicos/sociais [8], em grande parte resultante da seleção de parceiros com posições compatíveis, e em menor grau resultante de em parte resultante de persuasão e acomodação durante o relacionamento. Entre as questões de maior correlação estão questões associadas a religião, sexo e direito reprodutivo e orientação política geral.

Os pais são provavelmente o fator social mais influente na orientação política, por meio da transmissão genética e da influência do ambiente familiar [8].

Estudos comportamentais

Veja também comportamento político.

[7] [8]

Veja também

Links

Referências

  1. Hibbs, D. & Olsson, O. (2004). Geography, Biogeography, and Why Some Countries Are Rich and Others Poor. Proceedings of the National Academy of Sciences USA, 101, 3715-3720.
  2. Petersen, M. B. (2012). Social Welfare as Small-Scale Help: Evolutionary Psychology and the Deservingness Heuristic. American Journal of Political Science, 56 (1), 1‒16.[1]
  3. 3,0 3,1 3,2 3,3 The genetics of politics: discovery, challenges, and progress. Peter K. Hatemi, Rose McDermott. Trends in Genetics Volume 28, Issue 10, October 2012, Pages 525–533 [2]
  4. 4,0 4,1 Verhulst, B., et al. (2010) The nature of the relationship between personality traits and 519 political attitudes. Personality and Individual Differences 49, 306-316
  5. Hatemi, P.K., et al. (2011) A Genome-Wide Analysis of Liberal and Conservative Political 561 Attitudes. J Polit 73, 271-285
  6. Petersen, Michael Bang, et al. "The ancestral logic of politics: Upper body strength regulates men’s assertion of self-interest over economic redistribution." Psychological Science (2012). [3]
  7. Hatemi PK, Verhulst B (2015). Political Attitudes Develop Independently of Personality Traits. PLoS ONE 10(3): e0118106. doi:10.1371/journal.pone.0118106
  8. 8,0 8,1 The Politics of Mate Choice. John R. Alford, Peter K. Hatemi, John R. Hibbing, Nicholas G. Martin, Lindon J. Eaves. The Journal of Politics, Vol. 73, No. 2, April 2011, Pp. 362–379 [4]